Crítica | Milagre na Cela 7 (Netflix)

Crítica | Milagre na Cela 7 (Netflix)

maio 4, 2020 0 Por Gustavo Oliveira
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Separado de sua filha por ser acusado de um crime que não cometeu, um homem com deficiência intelectual precisa provar sua inocência ao ser preso pela morte da filha de um comandante. Ele passa a contar com a ajuda de seus companheiros de cela e de quem também está do outro lado das grades.

Milagre na Cela 7 , ou, como é chamado em turco, Yedinci Kogustaki Mucize  é um filme turco de 2019, que na Netflix que estreio no top 10 do serviço de streaming no mês de março. O filme pode ser novo para o público brasileiro, mas com nada além de tempo em nossas mãos, você também pode conferir, certo? Diga o que quiser sobre auto-isolamento, mas pelo menos você nunca ficará sem coisas para assistir no Netflix!

Milagre na Cela 7 é o tipo de história edificante e comovente que sempre agrada a todos. Dirigido por Mehmet Ada Öztekin, o filme é estrelado por Nisa Sofiya Aksongu como uma garotinha desesperada para recuperar seu pai, Memo (Aras Bulut Iynemli), falsamente acusado e com deficiência mental. Apesar da desvantagem de Memo, a família vive uma vida bastante normal. Como qualquer pai que tenta fazer sua filha feliz, Memo quer comprar para Ova a “mochila Heidi”, que Ova admira na vitrine de uma loja. No entanto, outra garotinha chamada Seda pega a mochila primeiro. Alguns dias depois, Seda está do lado de fora brincando com suas amigas e elas se deparam com Memo. Seda provoca Memo sobre a mochila e o leva a falésias. Ela sobe na beirada e escorrega, bate a cabeça em uma pedra e morre. Os pais de Seda, incluindo o pai, que é um oficial militar de alta patente, a encontram nos braços de Memo e, culpa Memo por sua morte.

A direção de Mehmet Ada Öztekin mostra como o cineasta pode criar uma tensão e um certo suspense sobre o enredo do filme caso você não conheça a versão original coreana de 2013. O diretor brinca com o espectador dando esperança sobre o final do protagonista e depois tirando de nossas mãos, nos deixando incertos sobre o futuro dele. As cenas de violência são fortes e você chega até a pensar eu estão realmente batendo no ator Aras Bulut Iynemli, que interpreta Memo. Ainda falando do trabalho de direção de Ada Öztekin ele consegue trabalhar bem os seus enquadramento para mostrar as paisagens do local fazendo da fotografia e da iluminação natural uma bela arte. Porem na maioria das vezes que o diretor tenta usar uns slow motion não fica bem executado, como na cena final onde uma cena linda chega a parecer forçada.

Já elenco principal entrega ótimas atuações, começando por Aras Bulut Iynemli, que interpreta Memo, o ator interpreta com maestria, onde todo peso das cenas de violência contra o mesmo dar se por ele precisar continuar mostrando os distúrbio cognitivo que personagem tem, fazendo com o tudo aquilo fique mais forte. Askorozlu (Ilker aksum) é um personagem muito cativante, por mais que em vários momento ele me faça lembrar Karl Urban em The Boys, ele consegue passar que manda sim ali ,naquele presidio, por mais caricato que ele seja ele trabalha a evolução do seu personagem muito bem. Deniz Baysal (Professora Mine), Celile Tayon Uysal (Vovó Fatma) e Sarp Akkaya (Diretor Nail) fazem um bom trabalho também dando apoio os protagonistas junto com colegas de cela de Memo.

Um dos maiores problemas do filme ta na direção e na atuação feita a pequena Nisa Sofiya Aksongu. Em vários momentos a jovem atriz não consegue passar transparência do sentimento que a personagem está naquele momento e, muitas das suas falas parecem que ela acabou de ler antes de ser filmada. Cenas em que o texto é a principal ferramenta, Sofiya não consegue transmitir com o peso que o momento precisa. O outro erro do filme é como o plot twist da historia é apresentado, ele não traz a emoção que a cena anterior teve, fazendo com a cena final tenha um pequeno erro de continuidade.

Milagre na Cela 7 é aquele filme que nesses tempos de que quarentena pode nos deixar mais chorosos, pois muito da sensibilidade do filme vem da visão do diretor Mehmet Ada Öztekin, que nos faz entrar nessa historia difícil, mas cativante e nos faz ver bondade de onde menos esperamos ou só não consigamos enxergar. Todo o sucesso e reconhecimento que o filme vem recebendo é merecido. Temos que a agradecer a Netflix, pois se não fosse ela, Milagre na Cela 7 seria um filme que jamais iriamos ver, pois assim como o grande sucesso do ultimo Oscar, Parasita, é um filme de outra nacionalidade que tão pouco conhecemos, até menos a coreana de Parasita, no qual o este filme turco faz remake.