CRÍTICA | O DIABO DE CADA DIA

CRÍTICA | O DIABO DE CADA DIA

setembro 13, 2020 0 Por Gustavo Oliveira
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Ambientada entre a Segunda Guerra Mundial e a Guerra do Vietnã, O Diabo de Cada Dia acompanha diversos e bizarros personagens num canto esquecido de Ohio, nos Estados Unidos. Cada um deles foi afetado pelos efeitos da guerra de diferentes maneiras. Entre eles, um veterano de guerra perturbado, um casal de serial killers e um falso pregador.

Com um elenco cheio de grandes nomes, O Diabo de Cada Dia é mais uma das grandes produções da Netflix neste ano de 2020. Ano este que por conta de uma pandemia tem feito com que poucos filmes tenham sido lançados, mesmo agora com a volta do funcionamento das salas de cinema em alguns locais do mundo. Assim como Destacamento Blood, O Diabo de Cada Dia é um grande lançamento da plataforma neste ano. A plataforma vem fazendo uma aposta grande em alguma das suas grandes produções, mas a “aposta” dessa vez foi muito certeira.

O Diabo de Cada dia é dirigido por Antanio Campos (Depois da Escola) adapta o livro homônimo escrito por Donald Ray Pollock, que faz a narração em off no filme, e juntando com o fato do filme ser separado por capítulos traz uma real sensação de estar escutando uma história. O filme conta a história de Arvin Russell (Tom Holland), porém para que possamos entender a história de Arvin o filme nos apresenta a de seu pai, Willard Russell (Bill Skarsgård). Willard é um sobrevivente da segunda guerra que tenta esquecer os traumas causados pela a guerra e se apaixona pela a garçonete Charlotte (Haley Bennett).

Em todo o arco de Willard podemos ver como a religião tem importância para a sua família, porém por conta do trauma pós guerra Willard não tem mais interesse em se aproximar da igreja, por mais que sua mãe tente o trazer de volta para a vida cristã, Willad só vai encontrar o caminho para a fé novamente por conta própria, já depois que está casado com Charlotte. Durante todo este arco já podemos nos questionar no quanto as pessoas que vão a uma igreja, se elas estão ali em adoração a Cristo ou ao pregador. Neste mesmo arco nos é entregue uma grande atuação de Skarsgård, passando todas as angústias que a vida vem lhe trazendo até o seu último segundo de vida.

Harry Melling interpreta brilhantemente o pregador Roy Laferty, um pastor que por conta da sua fé chega a cometer loucuras, desde jogar aranhas no próprio rosto para fazer com que os fiéis da sua igreja aprendam a superar seus medos, até tomar uma atitude totalmente sem escrúpulos para tentar provar pra si o seu contato com Deus. Roy na tentativa de fugir do que fez acaba pegando uma carona com um casal (Jason Clarke e Riley Keough) que costuma dar carona para pessoas em estradas, mas em troca é preciso faz uns ensaios fotográficos um pouco inusitados.

Quando passamos a conhecer melhor Arvin ainda é na sua infância. A construção que é feita para mostrar a importância do seu pai na sua vida é muito bem feita, pois o roteiro e a direção mostra muito bem como Arvin vai ser como adulto, uma pessoa que se espelharia nos acertos do pai e tentaria ao máximo evitar os erros do mesmo. Arvin ao perder seus pais, ele passa a morar com seus avós e assim ele acaba tendo que ir a igreja com os mesmo.

Nesta nova época o pastor que acaba de assumir a igreja Presto Teagardin interpretado por um dos melhores atores no momento, Robert Pattinson. Pattinson está em mais uma grande atuação, atuação esta que mesmo tendo pouco tempo de tela nos entrega um personagem que nos faz ter todo o asco e gastura possível. Então quando temos em um breve momento Pattinson contracenando com Holland é um dos pontos mais alto do filme. A cada filme que estamos vendo Robert Pattinson atuar, podemos ter a certeza que estamos acompanhando um crescimento de um grande nome do cinema de futuro próximo.

Se tem algo que posso falar mal do filme é o arco de Lee Bodecker (Sebastian Stan), é um arco curto, com muito pouco aproveitamento, sabemos apenas que é um policial corrupto com interesse em política. O personagem é nos apresentado rápido, aparece pouco e está ali apenas para tapar buraco de algumas situações para outros personagens, de todos os que estão aqui no filme com certeza se fosse removido da história não faria falta alguma.

Com todo o seu elenco grandioso e com suas mais de duas horas de duração, temos sim mais um grande filme de 2020 na Netflix. O Diabo de Cada Dia é um filme que nos mostra como as pessoas podem “brincar” com a nossa fé e nos manipular de qualquer forma, e que pessoas ruins estão em todo e qualquer lugar neste mundo, porém nos resta então saber como identificá-las para que não sejamos vítimas delas.