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CRÍTICA | OS 7 DE CHICAGO

Aaron Sorkin escreveu Os 7 de Chicago pela primeira vez em 2007, mas demorou bastante para que acontecesse. Depois de passar pela a mão vários diretores como Steven Spielberg e Paul Greengrass, Os 7 de Chicago ganhou força apenas em  2018, quando Sorkin foi contratado como diretor, podendo assim recrutar vários atores de renome. Por causa do talento de Sorkin, Os 7 de Chicago já era um dos candidatos a prêmios mais esperados de 2020, ainda mais por causa dos paralelos da história com os tempos em que estamos vivendo. Felizmente, o filme faz jus ao hype. Os 7 de Chicago é um drama de tribunal divertido e atraente, apoiado pelo roteiro de Sorkin e atuações incríveis.

Os 7 de Chicago é ambientado principalmente após a Convenção Nacional Democrata de 1968, local de manifestações e protestos contra o envolvimento dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã. Sete indivíduos – Tom Hayden (Eddie Redmayne), Abbie Hoffman (Sacha Baron Cohen), Jerry Rubin (Jeremy Strong), David Dellinger (John Carroll Lynch), Rennie Davis (Alex Sharp), John Froines (Danny Flaherty) e Lee Weiner (Noah Robbins) – são acusados ​​de conspiração para cruzar as fronteiras estaduais e incitar a violência durante a convenção. Com o advogado William Kunstler (Mark Rylance) liderando a defesa contra a equipe de promotores Thomas Foran (JC MacKenzie) e Richard Schultz (Joseph Gordon-Levitt), o que se segue é um julgamento cansativo e infame onde Os 7 de Chicago procuram defender seus valores em um sistema trabalhando contra eles.

O que chama atenção em Os 7 de Chicago é o roteiro. Os diálogos caracteristicamente animado de Sorkin faz com que os atores lutam verbalmente entre si, tornando mais fácil para os espectadores serem atraídos para a narrativa. Sorkin está em casa com este material politicamente carregado, encontrando o equilíbrio adequado entre puro entretenimento e domínio do assunto. Enquanto alguns membros de Os 7 de Chicago têm papéis mais elaborados do que outros, Sorkin faz um bom trabalho para dar a cada ator do conjunto lotado uma oportunidade de brilhar, dando efetivamente ao público uma ideia de quem cada pessoa é como um indivíduo. Cada membro tem suas características únicas que os fazem se destacar, tornando-os personagens completos.

É difícil apontar um ou dois atores como as estrelas indiscutíveis, mas Redmayne e Cohen sem dúvida têm os papéis mais carnudos entre os sete. Seus personagens representam duas ideologias contrastantes na esquerda (o último é um líder hippie enquanto o primeiro tem mais “respeito” pela autoridade), criando uma dinâmica fascinante que, em última análise, tem uma boa recompensa. Strong também causa uma impressão memorável, servindo essencialmente como o alívio cômico do filme com sua grande química com Cohen. Outro destaque no elenco é Yahya Abdul-Mateen II, que interpreta Bobby Seale, um oitavo integrante do grupo que estava em julgamento. Sua subtrama definitivamente tem conotações que soarão verdadeiras para o público de hoje, tristemente destacando o quão pouco as coisas mudaram no mundo nas últimas décadas.

Os 7 de Chicago é o segundo esforço de direção de Sorkin após A Grande Jogada de 2017, e embora seu roteiro ainda seja a maior atração, ele faz um bom trabalho por trás das câmeras aqui. O filme não apresenta um estilo visual particularmente chamativo, mas talvez seja o melhor, pois permite que os espectadores se concentrem apenas nas dificuldades dos personagens e em suas interações, sem se distrair. Os filmes de Sorkin nunca chama a atenção para si mesmo, e ele deixa os diálogos e os temas falarem. É fácil ver Sorkin traçar paralelos entre Os 7 de Chicago e o que aconteceu nos EUA na época de lançamento do filme. Sorkin consegue evitar ser muito enfadonho em suas mensagens, mas está claro o que ele está tentando dizer.

Os 7 de Chicago definitivamente está entre os melhores lançamentos de 2020, tanto é que já está concorrendo a vários prêmios. Sorkin mais uma vez entregou um roteiro dinâmico, e ele continua a se provar como um diretor capaz. Os 7 de Chicago também é uma vitrine genuína do ator, e qualquer um que seja um fã do trabalho anterior de Sorkin ou qualquer um dos talentos envolvidos certamente encontrará algo para desfrutar aqui. A Netflix tem uma série de títulos de prestígio em seu catalogo este ano, e Os 7 de Chicago é um dos melhores.